Espaços Invisíveis

Espaços Invisíveis foi criado em 2013 com o apoio do Fomento à Dança da Cidade de São Paulo e foi ganhador do Prêmio Denilto Gomes (Cooperativa de Dança) na categoria “Criação em Dança para Espaços Específicos”. Quando iniciamos a pesquisa de Espaços invisíveis, desejávamos nos relacionar com a cidade de São Paulo para além da vivência objetiva, concreta e funcional que experimentamos cotidianamente. Para isso, o filme O Lamento da Imperatriz de Pina Bausch e o livro As cidades invisíveis de Italo Calvino nos serviram de inspiração e nos provocaram criativamente. Durante a pesquisa, realizamos algumas intervenções nas ruas de São Paulo, nas quais nos colocávamos mais disponíveis corporal e sensorialmente à este ambiente, afim de que nossas subjetividades, nossas fantasias e imaginários sobre nossa vida nesta cidade pudessem ser exprimidos em dança e sonoridade. As qualidades e regras dos fluxos da cidade, a fugacidade inerente a esses fluxos, os encadeamentos e justaposições de imagens e dinâmicas que compõem a cidade de maneira complexa; tudo isso com o que dialogamos durante as intervenções transformou-se em procedimento dramatúrgico desta peça. São estas possibilidades de viver e pensar o espaço que habitamos que propomos trocar com o público que vem nos assistir, permitindo-os compartilhar da cidade que criamos, a qual deixa de ser apenas um conceito geográfico e se torna o símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Ao público é dada certa liberdade de escolher como chegar ao espaço da cena, como deslocar-se e como olhar para cada dança – indo a pé, na pracha-móvel ou de bicicleta – como o viajante que chega à Despina, no texto de Calvino: “Há duas maneiras de se alcançar Despina: de navio ou de camelo. A cidade se apresenta de forma diferente para quem chega por terra ou por mar.” Por fim, imaginamos que a experiência de compartilhar Espaços invisíveis com o público seja um tanto assim: “… não se deve devorar As cidades invisíveis com a avidez de querer saber o que vai acontecer depois, mas saborear lentamente cada texto em si mesmo, como um turista que se demora diante de uma paisagem ou volta para examinar mais uma vez uma obra de arte, despreocupado com o horário do avião.”

Concepção: Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros; Direção: Alex Ratton Sanchez; Intérpretes-criadores: Carolina Callegaro, Ciro Godoy, Clara Gouvêa, Gregory Slivar, Laila Padovan e Larissa Salgado; Trilha Sonora: Gregory Slivar e Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros; Grafite: Luciano Lucko; Figurino: Fause Haten; Designer e operação de luz: Cristina Souto; Cenário: Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros; Vídeos das intervenções: Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros; Edição de vídeo: Vinícius Paulino.